FOTO: o braço do robô replicam os mesmos movimentos do cirurgião.

A cirurgia robótica é considerada uma das maiores inovações da medicina no século XXI, especialmente na Urologia. Utilizando o sistema robótico daVinci®, amplamente consagrado no mundo, esse método permite ao cirurgião realizar procedimentos com altíssima precisão, segurança e controle, resultando em menos trauma para o paciente e melhor recuperação pós-operatória.

 

1. Introdução e Evolução Histórica

A cirurgia robótica é considerada a maior revolução tecnológica da cirurgia moderna desde a introdução da videolaparoscopia.
Os primeiros sistemas robóticos cirúrgicos surgiram na década de 1980, com o Arthrobot (Canadá, 1983) e o PUMA 560 (utilizado em neurocirurgia). Em 1990, a NASA e o Departamento de Defesa dos EUA financiaram o desenvolvimento de robôs para cirurgias à distância — conceito que evoluiu para o Sistema Da Vinci®, lançado comercialmente em 2000 pela empresa Intuitive Surgical, que se tornou o padrão mundial em cirurgia robótica.

Na urologia, a primeira prostatectomia radical assistida por robô (RARP) foi realizada em 2000, marcando o início de uma nova era. Desde então, a robótica foi amplamente adotada para procedimentos urológicos complexos, como nefrectomias parciais, pieloplastias, cistectomias e linfadenectomias pélvicas.


 

2. Plataformas Robóticas Atuais

Hoje existem diversas plataformas em uso clínico ou avançado desenvolvimento, cada uma com características próprias:

Sistema RobóticoFabricante / PaísDiferenciais Técnicos
Da Vinci Xi / X / SPIntuitive Surgical (EUA)Visão 3D HD, 4 braços articulados, filtragem de tremor, ergonomia de console imersivo.
Hugo™ RASMedtronic (EUA)Modular, transportável, integra inteligência de dados intraoperatórios.
Versius®CMR Surgical (Reino Unido)Braços independentes compactos e portátil, curva de aprendizado menor.
Senhance® Surgical SystemAsensus Surgical (EUA)Feedback tátil e rastreamento ocular do cirurgião.

Esses robôs representam a segunda geração da robótica cirúrgica, marcada por maior mobilidade, interoperabilidade com sistemas hospitalares e custos operacionais progressivamente menores.

Disposição na sala de cirurgia:

FOTO: disposição da sala cirúrgica do robô. Cirurgião se posiciona no console e o robô se posiciona ao lado da mesa do paciente, junto com auxiliar e instrumentadora.


 

3. Técnica Cirúrgica e Posição do Paciente

A cirurgia robótica é uma evolução direta da laparoscopia, mantendo o mesmo princípio de acesso minimamente invasivo, mas com precisão e ergonomia superiores.

O paciente é posicionado em decúbito dorsal (deitado de costas), geralmente em posição de Trendelenburg de 25 a 30 graus (cabeça mais baixa que o corpo) e com as pernas elevadas e afastadas em posição de litotomia. Essa inclinação desloca as alças intestinais, expondo a pelve e otimizando o campo cirúrgico.

O cirurgião opera a partir de um console, controlando quatro braços robóticos articulados que reproduzem seus movimentos com altíssima precisão, eliminando tremores e ampliando a escala de movimento.
A equipe assistente permanece junto ao paciente, realizando trocas de instrumentais e monitoramento anestésico.

Essa configuração permite dissecção meticulosa dos feixes neurovasculares, reconstrução da anastomose vesicouretral e suturas de alta complexidade com estabilidade incomparável.


 

4. Resultados Clínicos e Redução de Complicações

Diversos estudos demonstram que a cirurgia robótica em urologia reduz significativamente a morbidade perioperatória e melhora a recuperação funcional.

  • Menor perda sanguínea (≈ 300 mL vs 800–1000 mL na aberta).

  • Menor taxa de transfusão (1–2% vs 10–15%).

  • Menor tempo de internação (1–2 dias vs 5–7 dias).

  • Retorno funcional precoce: continência urinária e potência sexual em menor tempo.

  • Menos dor e menor uso de analgésicos.

Estudos comparativos também mostram taxas de margens cirúrgicas positivas semelhantes ou inferiores às da cirurgia aberta, com menor incidência de complicações Clavien ≥ III e melhor preservação nervosa.

Como funciona a cirurgia robótica?

A técnica é, na essência, uma evolução da laparoscopia. O cirurgião opera sentado em um console, comandando remotamente braços robóticos que reproduzem seus movimentos com extrema delicadeza e estabilidade. A visão 3D ampliada do campo cirúrgico e a capacidade de realizar movimentos milimétricos com rotação completa dos instrumentos fazem com que a cirurgia robótica ofereça uma destreza superior à cirurgia aberta ou laparoscópica tradicional.

 

Principais indicações na Urologia

A Urologia foi pioneira na adoção da cirurgia robótica, especialmente para procedimentos oncológicos:

  • Câncer de próstata (prostatectomia radical)

  • Câncer de rim (nefrectomia parcial)

  • Câncer de bexiga (cistectomia radical com neobexiga intracorpórea)

Além das indicações oncológicas, a robótica vem sendo utilizada com sucesso em cirurgias reconstrutivas e funcionais, como pieloplastias, reimplantes ureterais, ampliação vesical e até mesmo em transplantes renais.

O nome “Da Vinci” foi escolhido em homenagem a Leonardo da Vinci, o artista e inventor renascentista que estudou profundamente a anatomia humana e o movimento das mãos. A denominação simboliza a destreza manual do robô, capaz de imitar com fidelidade os movimentos das mãos do cirurgião que opera do lado de fora do campo cirúrgico. Cada gesto realizado no console é traduzido em micro-movimentos articulados, com filtragem de tremores e ampliação de precisão, permitindo uma execução extremamente delicada e controlada das manobras cirúrgicas.

A robótica permite, ainda, intervenções complexas como nefrectomia parcial com clampeamento seletivo, pieloplastia robótica, linfadenectomia estendida e cistectomia com reconstrução intracorpórea, procedimentos inviáveis ou mais arriscados em técnicas convencionais.

FOTO: da esquerda para direita: carrinho de vídeo, robô da vinci, console do robô onde o cirurgião trabalha.


 

5. Benefícios e Segurança

Os principais benefícios ao paciente incluem:

  • Menor sangramento intraoperatório;

  • Menor dor e trauma tecidual;

  • Cicatrizes menores e melhor resultado estético;

  • Alta hospitalar precoce;

  • Rápido retorno às atividades cotidianas;

  • Preservação funcional de nervos e estruturas pélvicas;

  • Menor risco de infecção hospitalar e reoperações.

O sistema robótico incorpora filtros de segurança e redundância eletrônica — caso ocorra falha de energia, o robô entra automaticamente em modo seguro, preservando a integridade do paciente.

FOTO: a visão 3D do robô consegue visualizar melhor e com mais detalhes estruturas nobres, tais como o nervo da ereção e os músculos do assoalho pélvico.

FOTO: foto real dos braços do robo atingindo o plano cirúrgico perfeito para preservação nervosa das estruturas nobres.


 

6. Custos e Cobertura (Fora do Rol da ANS)

Apesar das vantagens clínicas, a cirurgia robótica envolve alto custo de aquisição e manutenção, com equipamentos avaliados em US$ 1,5 a 2 milhões, além de instrumentais descartáveis e contratos de serviço.

Atualmente, a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) não obriga os planos de saúde a cobrir a tecnologia robótica, apenas o procedimento-base (ex.: prostatectomia radical). Assim, a cirurgia robótica é considerada “fora do rol”, sendo custeada diretamente pelo paciente ou por acordos individuais com operadoras.

O custo total varia conforme o hospital e o tipo de procedimento, mas tende a ser compensado por menor tempo de internação, menos complicações e recuperação mais rápida, resultando em melhor custo-efetividade global.

Desvantagens e limitações

  • Custo elevado da tecnologia

  • Disponibilidade restrita a hospitais com estrutura robótica

  • Demanda por equipe altamente treinada

  • Ausência de feedback tátil para o cirurgião

Apesar das vantagens, o custo ainda é o principal desafio. A aquisição, manutenção e uso do robô elevam o valor total do procedimento quando comparado às técnicas convencionais.

 

Custos e cobertura pelos planos de saúde

Hoje, a cirurgia robótica não é obrigatoriamente coberta pelos planos de saúde, pois não está incluída no Rol de Procedimentos da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar). Isso significa que, mesmo quando indicada, a operadora de saúde pode negar a cobertura da parte robótica do procedimento, cabendo ao paciente arcar com esse diferencial tecnológico.

Na Urologia Integrada, esclarecemos essa questão de forma transparente e oferecemos apoio completo ao paciente na busca de seus direitos junto aos planos de saúde, quando cabível.

FOTO: da esquerda para direita: carrinho de vídeo, robô da vinci, console do robô onde o cirurgião trabalha.


 

7. Equipe e Hospitais Credenciados

A cirurgia robótica exige uma equipe altamente treinada e certificada, composta por:

  • Cirurgião robótico com certificação formal;

  • Assistentes treinados em robótica e laparoscopia avançada;

  • Instrumentadores certificados em manuseio e troca de braços robóticos;

  • Anestesiologistas habituados ao posicionamento e fisiologia do Trendelenburg prolongado.

A Urologia Integrada Especializada atua em hospitais com plataformas robóticas de última geração, unidades de terapia intensiva, suporte anestésico avançado e equipe multiprofissional especializada em reabilitação pélvica e continência.

Nosso time é certificado e experiente em cirurgia robótica, realizando procedimentos com foco em segurança, eficiência e qualidade funcional do resultado.


 

8. Considerações finais

A cirurgia robótica representa o estado da arte da urologia moderna.
Com mais de duas décadas de evolução e resultados comprovados, ela alia precisão, segurança e menor agressão ao paciente, consolidando-se como o padrão de excelência em centros de referência no Brasil e no mundo.

A cirurgia robótica veio para ficar. Quando bem indicada, realizada por equipe experiente e em centros qualificados, ela oferece resultados excepcionais tanto para o controle da doença quanto para a qualidade de vida dos pacientes. Na Urologia Integrada, acreditamos em tecnologia com propósito: melhorar a vida das pessoas com responsabilidade, ciência e humanidade.

 

Conteúdo de caráter informativo, não substitui consulta médica.


 

Referências Bibliográficas

  1. Patel VR et al. Robotic-assisted laparoscopic radical prostatectomy: a review of outcomes. Urology. 2005;66(5):1062–1067.

  2. Ficarra V et al. Systematic review and meta-analysis of studies reporting oncologic outcome after robot-assisted radical prostatectomy. Eur Urol. 2012;62(3):382–404.

  3. Hu JC et al. Comparative effectiveness of minimally invasive vs open radical prostatectomy. JAMA. 2009;302(14):1557–1564.

  4. Porpiglia F et al. Robotic surgery for urological malignancies: advantages and limitations. Nat Rev Urol. 2020;17:415–432.

  5. EAU Guidelines on Prostate Cancer 2024. European Association of Urology.

  6. Intuitive Surgical. Da Vinci Surgical System Clinical Outcomes. 2023.

  7. ANS – Agência Nacional de Saúde Suplementar. Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde 2025.