Exame de Urodinâmica
A urodinâmica é um exame funcional que avalia como a bexiga e a uretra estão trabalhando para armazenar e eliminar a urina. Ele é indicado para diagnosticar e compreender alterações urinárias, como incontinência urinária, dificuldade para urinar, jato fraco, aumento da frequência urinária, urgência miccional e esvaziamento incompleto da bexiga.
Como é realizado o exame?
Durante o exame, sondas finas são introduzidas na uretra e no reto para medir a pressão da bexiga em diferentes situações, como o enchimento e o esvaziamento da urina. O exame é realizado em três etapas:
- Fluxometria: o paciente urina em um equipamento que mede o fluxo urinário.
- Cistometria: introdução de sonda para encher a bexiga com soro fisiológico e avaliar a sensibilidade, capacidade e funcionamento do músculo da bexiga.
- Estudo miccional: avalia o esvaziamento da bexiga.
O exame é realizado em ambiente reservado, com respeito à privacidade, segurança e conforto do paciente. Durante todo o procedimento, o paciente permanece acompanhado pelo médico responsável e por uma profissional da equipe de enfermagem. Para preservar sua privacidade, o paciente utiliza avental durante o exame, sendo exposta apenas a região necessária em cada etapa do procedimento.
Durante o exame é realizado a introdução delicada de cateteres finos na bexiga e no reto, que permitem medir as pressões da bexiga e do abdome durante o enchimento e o esvaziamento vesical. A bexiga é preenchida gradualmente com líquido estéril e, ao longo do exame, o paciente informa ao médico as sensações de enchimento e vontade de urinar. Em determinados momentos, poderá ser solicitado que o paciente tussa, faça força ou urine, permitindo avaliar o funcionamento da bexiga, da uretra e dos mecanismos relacionados à continência urinária.
O paciente pode comparecer com um acompanhante, que poderá permanecer junto durante as etapas permitidas pela equipe, respeitando a privacidade, a segurança e as condições técnicas necessárias para a realização do procedimento. Qualquer desconforto ou dúvida durante o exame pode e deve ser comunicado imediatamente à equipe.
Infecção urinária e uso de antibióticos:
A urodinâmica não deve ser realizada na presença de infecção urinária sintomática ativa. Antes do exame, o paciente será avaliado quanto à presença de sintomas e, quando indicado, poderão ser solicitados exame de urina (EAS) e/ou urocultura. A presença isolada de bacteriúria assintomática (bactéria na urina sem sintomas de infecção) não representa necessariamente contraindicação ao procedimento, devendo a conduta ser individualizada pelo médico. O uso preventivo de antibióticos não é recomendado de rotina, podendo ser indicado em pacientes com fatores específicos de maior risco para infecção após o exame. Caso apresente febre, ardência ao urinar, dor ou outros sintomas sugestivos de infecção urinária nos dias que antecedem a urodinâmica, entre em contato com nossa equipe antes de realizar o procedimento.
O exame não deve ser realizado na presença de infecção urinária sintomática ativa. Antes do procedimento, o paciente será avaliado quanto à presença de sintomas urinários e, quando indicado, poderão ser solicitados exame de urina e/ou urocultura. A presença isolada de bacteriúria assintomática não constitui necessariamente contraindicação absoluta ao exame, devendo a conduta ser individualizada pelo médico.
Preparo para o Exame:
- Exame realizado a partir de 15 anos de idade (não há limite máximo, porém, será feita uma avaliação pelo médico no momento do exame).
- Todo exame de urodinâmica deve ser precedido por uma consulta urológica, na qual o paciente recebe explicações completas sobre o procedimento, seu caráter invasivo, preparo necessário, possíveis desconfortos e riscos envolvidos. Muitos pacientes chegam à realização do exame sem essas orientações prévias, o que reforça a importância da avaliação médica inicial.
- Comparecer ao local do exame com a bexiga confortavelmente cheia (sentindo vontade de urinar, mas sem desconforto intenso).
- Comparecer com antecedência de 01 hora para abertura de ficha e ingestão de 04 a 06 copos de água ao chegar na unidade para estar com a bexiga cheia.
- Evitar uso de cremes vaginais nas 24 horas anteriores (para mulheres).
- Avisar sobre o uso de medicamentos para a bexiga ou para a próstata, pois alguns podem precisar ser suspensos temporariamente.
- Antibióticos não são necessários rotineiramente. Em pacientes com fatores de risco específicos, o médico poderá indicar antibioticoprofilaxia antes do exame.
- Não é necessário jejum.
- O paciente deve chegar com bexiga confortavelmente cheia.
- Em alguns casos, pode ser solicitado uso prévio de antibiótico profilático.
- O médico deve ser informado sobre uso de medicamentos que interfiram na micção (antimuscarínicos, alfabloqueadores, diuréticos etc.).
- Contraindicado na vigência de infecção urinária (em caso de dúvidas consultar o médico solicitante).

Possíveis Riscos:
A urodinâmica é um exame seguro, mas como todo exame invasivo pode ocorrer complicações e intercorrências, pois envolve a introdução de sondas na uretra. Podem ocorrer após o exame:
- Desconforto leve durante e após o exame;
- Ardência para urinar nas primeiras micções;
- Risco de infecção urinária, especialmente em pacientes predispostos. Em caso de febre ou dor persistente, deve-se procurar atendimento médico.
Importante:
- Não realizamos em pacientes alérgicos a látex.
- Pacientes debilitados, acamados ou algum outro tipo de restrição devem realizar o exame em ambiente hospitalar.
- Caso tenha exames anteriores, é necessário apresentá-los para estudo comparativo.


Etapas do exame
a) Urofluxometria
O paciente urina normalmente em um equipamento que mede o fluxo urinário (volume, velocidade e tempo).
Esse passo serve como referência para avaliar a força e o padrão do jato urinário.
b) Cistometria
Após o esvaziamento, uma sonda fina é introduzida na bexiga e outra no reto para medir pressões simultâneas.
A bexiga é então preenchida lentamente com soro fisiológico, enquanto sensores registram:
-
capacidade vesical,
-
sensações durante o enchimento,
-
presença de contrações involuntárias (hiperatividade do detrusor),
-
complacência e pressão intravesical.
Durante essa fase, o paciente é estimulado a relatar vontade de urinar e eventual perda de urina.
c) Teste de esforço (Valsalva ou tosse)
O paciente é solicitado a tossir ou fazer esforço leve para observar se ocorre perda urinária associada à pressão abdominal, útil no diagnóstico de incontinência de esforço.
d) Estudo miccional (fluxo e pressão)
O paciente urina com a sonda no lugar. O equipamento mede simultaneamente a pressão do detrusor e o fluxo urinário, avaliando se há obstrução, hipocontratilidade ou coordenação adequada entre bexiga e esfíncter.
e) Eletromiografia (quando indicada)
Sensores de superfície próximos ao períneo registram a atividade elétrica do esfíncter durante o enchimento e o esvaziamento, útil em casos de disfunção neurológica ou bexiga neurogênica.
Duração e sensações
O exame dura em média 40 a 60 minutos e é realizado sem anestesia, causando apenas leve desconforto.
As sondas utilizadas são muito finas (1 a 2 mm) e estéreis, sendo descartadas após o exame.
Ao final, o paciente pode apresentar leve ardor ao urinar por 12–24 horas, o que é normal.
Se houver dor, febre ou ardência intensa, deve-se comunicar imediatamente o médico assistente.
Interpretação dos resultados
O resultado da urodinâmica é interpretado por um urologista especializado.
O laudo descreve:
-
capacidade vesical,
-
presença de contrações involuntárias,
-
sensibilidade vesical,
-
função esfincteriana,
-
pressões de enchimento e esvaziamento,
-
fluxo urinário e volume residual.
O resultado do seu exame pode ficar pronto em até 21 dias úteis.
Nossas unidades que realizam o exame são Centro, Niterói e Barra da Tijuca.
Caso necessite agendar a urodinâmica, ligue para o nosso
Call Center 21-3030-6575 e do WhasApp é (21) 23234120.
Conteúdo de caráter informativo, não substitui consulta médica.
Referências bibliográficas
- Cameron AP, Campeau L, Brucker BM, et al. Best practice policy statement on urodynamic antibiotic prophylaxis in the non-index patient. Neurourology and Urodynamics. 2017;36(4):915-926. doi:10.1002/nau.23253.
É a referência da SUFU mais diretamente relacionada ao tema. Recomenda rastrear sintomas de ITU e realizar urinálise antes da urodinâmica; se houver suspeita de ITU, adiar o exame. Considera bacteriúria assintomática fator de risco, e não simplesmente uma contraindicação absoluta.
- Rosier PFW, Schaefer W, Lose G, et al. International Continence Society Good Urodynamic Practices and Terms 2016: Urodynamics, uroflowmetry, cystometry, and pressure-flow study. Neurourology and Urodynamics. 2017;36(5):1243-1260. doi:10.1002/nau.23124.
É o documento de Boas Práticas Urodinâmicas da International Continence Society (ICS), referência internacional para preparação do paciente, realização, qualidade e interpretação da urodinâmica.
- European Association of Urology (EAU). EAU Guidelines on Urological Infections. EAU Guidelines. Edition presented at the EAU Annual Congress, London, 2026. Arnhem, The Netherlands: EAU Guidelines Office; 2026. ISBN 978-94-92671-32-5.
A EAU avalia especificamente antibioticoprofilaxia na urodinâmica: os estudos mostram redução de bacteriúria, mas não benefício comprovado para redução de ITU clínica sintomática, levando à recomendação forte de não utilizar antibioticoprofilaxia rotineiramente para esse objetivo.