NOVEMBRO AZUL
1) Quais são as principais novidades em relação ao tratamento de câncer de próstata?
Hoje o tratamento do câncer de próstata é cada vez mais personalizado. A gente não fala mais em “um tipo de câncer de próstata”, e sim em vários perfis biológicos diferentes. Isso permite indicar a melhor estratégia para cada paciente.
Alguns avanços importantes:
#Cirurgia minimamente invasiva (laparoscópica e robótica), que reduz sangramento, dor e tempo de internação.
#Técnicas de preservação de nervos, que diminuem o risco de incontinência urinária e disfunção erétil após a cirurgia.
#Radioterapia de alta precisão (radioterapia guiada por imagem), que concentra a dose só no tumor e poupa os tecidos saudáveis.
#Novas medicações hormonais e imunoterapia para casos avançados e metastáticos, que aumentam sobrevida e controle da doença mesmo quando ela já saiu da próstata. Essas medicações hoje chegam mais cedo no tratamento e melhoram muito a qualidade de vida dos pacientes.
2. Qual é a importância do diagnóstico precoce?
Quanto mais cedo o câncer de próstata é identificado, maior a chance de cura e menor a agressividade do tratamento.
Nos estágios iniciais as taxas de controle da doença chegam perto de 90% ou mais, dependendo do tipo do tumor. muitas vezes é possível fazer um tratamento menos invasivo e o paciente volta mais rápido à rotina de trabalho e vida sexual.
Quando o diagnóstico é tardio, o homem pode precisar de terapias contínuas, mais caras, e que têm impacto em hormônios, massa muscular, energia e desejo sexual. Ou seja: não é só “viver mais”, mas sim viver bem.
3. Atualmente qual o papel da cirurgia robotica na urologia?
A tecnologia está disponível em centros de referência onde nossa equipe atua.
A cirurgia robótica é uma evolução da laparoscopia: o cirurgião controla braços robóticos com alta precisão, visão 3D e aumento de imagem.
4. Por que os homens procuram menos o médico que as mulheres?
Existem alguns fatores combinados.
Cultural: o homem foi ensinado a “aguentar” dor, sangramento na urina, dificuldade para urinar, disfunção sexual… e só procurar ajuda quando está grave.
Falta de hábito preventivo: mulheres, por causa do ginecologista, entram no sistema de saúde cedo e voltam todo ano. O homem em geral não tem essa consulta anual com o urologista.
Medo de descobrir um problema que impacte sexualidade, como impotência.
Vergonha do exame físico, especialmente do toque retal.
O resultado é ruim: quando o homem finalmente chega, muitas vezes já chega com doença avançada e com complicações que podiam ter sido evitadas. Isso vale para câncer de próstata, mas também vale para problemas de bexiga, rim, testículo e até infecção urinária.
Nosso recado no Novembro Azul é: prevenção não tira a masculinidade de ninguém. Prevenção protege a sua autonomia.
MITOS E VERDADES
1. Se o exame de PSA deu baixo, não preciso fazer o toque retal.
MITO.
PSA é um exame de sangue importante, mas não é perfeito. Alguns tumores de próstata agressivos não elevam o PSA. O toque retal ainda é útil porque permite sentir nódulos duros suspeitos. Dependendo da idade, do histórico familiar e da cor da pele, muitas sociedades médicas recomendam avaliar PSA e exame físico juntos para definir se precisa investigar mais.
2. Homens têm menos infecções urinárias que as mulheres.
VERDADE.
Mulheres têm uretra mais curta e anatomia que facilita entrada de bactérias, então a infecção urinária é muito mais comum nelas. No homem jovem, infecção urinária é incomum e quando acontece a gente investiga causas como próstata aumentada, cálculo urinário ou IST. Já nos idosos, especialmente com próstata grande e esvaziamento ruim da bexiga, a infecção passa a ser mais frequente.
3. Homens não contraem HPV.
MITO.
Homens pegam HPV, podem transmitir HPV e podem desenvolver lesões genitais e câncer, inclusive câncer de pênis, canal anal e orofaringe (garganta). A vacina do HPV protege também os meninos/homens e deveria ser vista como proteção de saúde masculina, não só feminina.
4. Todo homem que tem câncer de próstata ficará impotente.
MITO.
Disfunção erétil pode acontecer após cirurgia ou radioterapia, mas isso depende de vários fatores: idade do paciente, função sexual prévia, tamanho e localização do tumor e técnica cirúrgica utilizada. Hoje existem técnicas de preservação de nervos e reabilitação sexual precoce (medicações, dispositivos a vácuo, fisioterapia pélvica) que ajudam muitos pacientes a manter ou recuperar ereção.
Então o medo de “vou operar e nunca mais vou ter ereção” não é verdade para a maioria dos casos de tumor localizado.
5. Homens negros têm mais risco de câncer de próstata.
VERDADE.
Homens negros têm maior risco de desenvolver câncer de próstata e, em média, têm tumores mais agressivos e em idade mais precoce. Por isso eles entram no grupo que deve começar a vigilância mais cedo.
Esse é um ponto de saúde do homem e também de equidade: oferecer rastreamento igual para todo mundo não é suficiente; alguns grupos precisam começar antes.
6. Prática sexual com diferentes pessoas, sem uso de camisinha, pode ser fator de risco para o câncer de pênis.
VERDADE.
O câncer de pênis está muito ligado a higiene íntima inadequada, infecção por HPV e inflamação crônica. Relação sexual sem preservativo com múltiplos parceiros aumenta a chance de IST, inclusive HPV. Falta de higiene diária da região também aumenta risco. O mais triste é que é um câncer altamente prevenível com higiene adequada e uso de preservativo.
E aqui cabe nossa campanha de água e sabão: limpar bem a região íntima todos os dias salva pênis, literalmente.
7. Só preciso ir ao médico quando há algum problema com minha saúde.
MITO.
Essa mentalidade é justamente o que faz o homem descobrir doença tarde. Consulta preventiva anual com urologista a partir dos 45–50 anos (ou antes se tiver risco aumentado) evita sofrimento, internação prolongada e, muitas vezes, cirurgias maiores.
8. Fazer exercícios físicos evita que o câncer de próstata retorne.
PARCIAL / MAIS PARA VERDADE.
Atividade física regular, controle de peso e alimentação equilibrada estão associados a menor risco de progressão do câncer de próstata e melhor sobrevida em vários estudos. O exercício melhora metabolismo, imunidade e hormônios circulantes. Ele não é “garantia absoluta”, mas claramente ajuda o corpo a controlar a doença e melhora energia e função sexual no tratamento.
Conteúdo de caráter informativo, não substitui consulta médica.